Dica de Livro: Conexão Capitalismo e Meio Ambiente
Um livro direto e acessível que provoca uma reflexão atual sobre como a lógica do mercado influencia o meio ambiente e como empresas e sociedade podem transformar sustentabilidade em decisão, rotina e responsabilidade no mundo real.
LEITURAS (LIVROS & ARTIGOS)
Sandro de Santana
1/21/20262 min read


Se você está procurando uma leitura leve, mas com ideias que fazem a gente parar e pensar, Conexão Capitalismo e Meio Ambiente, do Marcus Peçanha, é uma boa indicação. O livro parte de uma pergunta simples, porém incômoda: como conciliar um sistema que incentiva crescimento e consumo com a urgência de preservar recursos naturais, reduzir impactos e lidar com as mudanças climáticas? A proposta não é “demonizar” o mercado, nem tratar sustentabilidade como moda. É mostrar que a relação entre economia e meio ambiente é real, diária e inevitável, e que quanto antes isso for assumido de forma madura, melhores serão as decisões de empresas, governos e sociedade.
Ao longo da leitura, fica evidente que o autor tenta tirar a sustentabilidade daquele lugar distante, cheio de termos difíceis, e aproximar o tema da prática. Ele discute por que empresas têm tanto peso na agenda ambiental e por que a transformação não acontece apenas com boa vontade ou campanhas bonitas. Para virar cultura e rotina, é preciso gestão. Isso envolve metas claras, escolhas coerentes, priorização e capacidade de medir avanços. O livro chama atenção para o risco de tratar sustentabilidade apenas como discurso, quando na prática as decisões continuam seguindo a mesma lógica de sempre. E é aí que a leitura ganha força, porque ela conecta a conversa ambiental com estratégia e com responsabilidade.
Outro ponto interessante é como o livro reforça a ideia de que meio ambiente não é “um assunto à parte”. Ele atravessa cadeia de valor, compras, operação, logística, relacionamento com fornecedores, comunicação, reputação e governança. Ou seja, não dá para colocar a pauta ambiental em uma gaveta e esperar que ela não influencie o negócio. O texto também abre espaço para refletir sobre como o setor público e o setor privado podem se complementar, especialmente quando falamos de normas, incentivos, fiscalização, inovação e mecanismos que favoreçam práticas mais sustentáveis. Nessa perspectiva, o capitalismo aparece como um sistema que pode gerar impactos, mas que também pode ser direcionado para soluções quando há regras, transparência e pressão por resultados consistentes.
Para quem trabalha com gestão, educação corporativa ou sustentabilidade aplicada, o livro pode funcionar como um “gatilho” para conversas internas. Ele ajuda a colocar o tema em uma linguagem mais acessível, sem perder a seriedade, e convida o leitor a olhar para a sustentabilidade como algo que precisa ser integrado ao que a organização já faz, e não como um projeto paralelo. No fim, a leitura deixa uma mensagem bem útil: a conexão entre capitalismo e meio ambiente não é um debate abstrato, é uma realidade que vai moldar o futuro das empresas e das pessoas. A pergunta que fica é como vamos participar disso, reagindo aos impactos ou assumindo um papel mais consciente e responsável nas decisões do dia a dia.
